Albernoa
Localidade que remonta o seu povoamento a épocas anteriores à formação da nacionalidade. Com efeito, Albernoa é um nome de origem árabe, que segundo Pinho Leal provém de barrelnaua, “campo do caroço”. Este facto prova que existia já população neste local aquando da Reconquista Cristã, já no século XIII e durante o reinado de D. Sancho II.
Em termos eclesiásticos, Albernoa surge depois do século XIV, data da criação paroquial. Terá sido integrada inicialmente no município de Beja e anos depois Albernoa era um curato da apresentação da Sé de Évora. A importância da localidade, a nível administrativo e mesmo religioso, aumentou à medida que o número de pessoas aqui residentes ia aumentando. Nos anos 50 do século passado viveriam aqui cerca de 2 200 habitantes, dedicando-se à agricultura e a algum comércio. Em 1878 aqui nasceu Manuel Ribeiro, que dá nome à Biblioteca da aldeia. Filho de um sapateiro local, foi um escritor, poeta e figura política de relevo na Primeira República Portuguesa. Ficou conhecido na história de Portugal como fundador da primeira organização bolchevista em Portugal, a Federação Maximalista Portuguesa, sendo um dos dinamizadores da fundação do PCP.
Publicou as obras “A catedral” em 1920, “O deserto” em 1922 e "A Planície Heróica" de 1927, um romance fundamental na literatura neorrealista ou regionalista portuguesa.
Albernoa foi honrada pela escrita de José Saramago, que em Viagem a Portugal dela disse: "Oh, senhores, vós que ao sol da praia vos deitais, vinde aos campos de Albernoa conhecer o Sol. Vede como estão secos estes ribeiros, o barranco de Marzalona, a ribeira de Terges, os minúsculos, invisíveis afluentes que não se distinguem da paisagem, tão seca como eles. Aqui se sabe, sem Ter de recorrer aos dicionários, o que significam estas palavras: calor, sede, latifúndio. Ao viajante não faltam luzes destas paragens, mas o que os olhos mostram é sempre maior e mais do que se julgava saber. Um milhafre atravessou a estrada em voo picante. Veio do alto caindo, parecia que tinha claro o alvo entre os restolhos, mas depois, com um golpe de asa, quebrou a descida, e, noutro ângulo deslizando, orientou o voo para além das colinas. Anda à caça, solitário na imensidão do céu, solitário nesta outra imensidão fulgurante da terra, uma ave de presa, força de sede e aço, só quem uma vez te não viu pode censurar-te a ferocidade. Vai e vive"
Heráldica
Armas: Escudo prata, oliveira de verde, arrancada e frutada de ouro.
Em chefe: livro fechado de azul, com folhas de ouro entre dois crescentes de verde.
Coroa: mural de prata de três torres.
Listel: branco com a legenda a negro, em maiúsculas: “ALBERNOA"
- Parecer da Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses de 29/07/1996
- Estabelecida em reunião de Assembleia de Freguesia, em 28/09/1996
- Publicada no Diário da República n.º 245, 3.ª Série, Parte A de 22/10/1996
- Registado na Direcção Geral de Autarquias Locais, com o n.º 066/1996, em 30/10/1996